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SUPER HERÓIS MARVEL.


Ficha Técnica


Título: Super-Heróis Marvel/O Clube Marvel (Marvel Super-Heroes/1966/EUA/Cor)
Criação: Stan Lee
Produtora: Grantray-Lawrence/Krantz Films
Formato: 5 séries de 13 episódios divididos em 3 partes cada
Dublagem: Rio-Som/RJ; Herbert Richers/RJ, Marshmellow/SP

Histórico


Alguns personagens dos quadrinhos da editora americana Marvel Comics, foram levados para a TV nos anos 60. Em 1967, foi lançado Os 4 Fantásticos - em associação com a Hanna-Barbera - e a primeira versão do Homem-Aranha, associada à Krantz Films.

Mas, um ano antes, 1966, foram produzidos os primeiros "Marvel" televisivos, para programa "Marvel Super Heroes Show". O Incrível Hulk, Capitão América, O Poderoso Thor, Namor - O Príncipe Submarino e O Homem de Ferro revezavam-se nos dia da semana com 13 histórias cada, divididas em três partes de cinco minutos.

Stan Lee foi o responsável pela criação dos desenhos. Associou-se com os produtores Steve Krantz e Bob Lawrence, da Grantray-Lawrence/Krantz Films. Os produtores viriam a produzir ainda outros dois clássicos em 1967: o já citado O Homem-Aranha (lançado no Brasil pela TV Bandeirantes) e Super Robin Hood.

Os "Marvel" de 1966 são puras adaptações das revistas em quadrinhos, o que resultou em animações muito lentas, com movimentos mínimos. A Grantray-Lawrence simplesmente ampliou os desenhos dos quadrinhos, por ter um orçamento limitado.

O que se vê são personagens estáticos que não andam, mas deslizam; diálogos em que só as bocas mexem; simples piscadas de olhos durante closes, e ainda, cenas que foram aproveitadas em vários episódios. Junto com efeitos sonoros de socos, por exemplo, surgem onomatopéias grafadas na tela, tais como "Pow!", "Soc!" e "Bong!". A série Batman, do mesmo ano, também se utilizou do efeito.

No ano seguinte, o orçamento melhorou e O Homem-Aranha teve sua produção mais caprichada. Mas, as adaptações dos quadrinhos para a tevê só não ocorreram no caso de Namor. Em 1966, suas histórias em quadrinhos ainda não haviam sido publicadas suficientemente para a adaptação e uma equipe de desenhistas e argumentistas foi convocada. Entre esses convocados, estava Doug Wildey, criador de Jonny Quest, e Alex Toth, criador de vários desenhos, como Space Ghost. Assim, 13 histórias foram produzidas com exclusividade para a tevê.

Mesmo com a pobre animação, os "Marvel" são "cults" e fizeram muito sucesso no Brasil. Quem passou sua infância ou juventude no fim dos anos 60, durante os anos 70 ou início dos 80, certamente sente saudades.

O Lançamento no Brasil


Os Marvel Super Heroes estrearam no Brasil em 1967, pela TV Bandeirantes (SP), TV Rio, TV Belo Horizonte e TV Alvorada (DF). Sob o título de Super-Heróis Shell, foram patrocinados pela rede de postos de gasolina. O extremo sucesso dos Marvel se deve à grande campanha de marketing coordenado que os desenhos receberam. Talvez a primeira grande campanha dos anos 60, junto com a Jovem Guarda.

A Ebal (Editora Brasil-América) adquiriu os direitos dos personagens e fez uma parceria com os Postos Shell, lançando edições especiais (números zero) de três revistas que seriam lançadas nas bancas nos meses seguintes: "Capitão Z", com Homem de Ferro & Capitão América, "Super X", com Namor & Hulk; "Álbum Gigante", com Thor.

Foi lançado um "disquinho" em vinil que continha uma história completa do Capitão América. Você pode ouvi-lo na íntegra, clicando aqui. Entre muito outros produtos, foram lançadas ainda as primeiras camisetas estampadas com super-heróis, lancheiras, bolas e uma cobiçada coleção de miniaturas, fabricadas pela Atma.

Os Super-Heróis Marvel saíram do ar por alguns anos fora da tevê e só voltaram pela TV Tupi, no programa Capitão Aza, em 1975. Nos anos 80, foram exibidos pela TV Globo e no "Pullman Júnior", da TV Gazeta de São Paulo.

A Dublagem


Os Heróis Marvel passaram por várias dublagens no Brasil. Mas a original foi primorosa, motivo de orgulho e saudade. Foi gravada pela pela Rio-Som e utilizada até a primeira redublagem, em 1982 pela Herbert Richers, quando a TV Globo passou a exibir os desenhos. Ainda sobre a primeira dublagem, o narrador de todas as histórias era o atual apresentador esportivo Léo Batista, da TV Globo. A dublagem da Herbert Richers, também foi um trabalho muito bem elaborado.


Outras dublagens

Em 2001, o já extinto canal pago Fox Kids, passou a exibir O Homem de Ferro em suas noites. Um ano depois, era vez de O Poderoso Thor estrear na TV paga também. Depois de quase 20 anos, esses heróis brilhavam novamente nas telas brasileiras, mas com novas dublagens. Além disso, os episódios - que originalmente eram divididos em três partes - foram emendados como um todo. Mas, o quesito "imagem" levou nota 10! Todos os Super-Heróis Marvel foram remasterizados, resultando numa qualidade incrível.

O Homem de Ferro e O Poderoso Thor foram redublados pela Marshmellow, deixando de lado todo aquele charme dos desenhos, mesmo tendo em seu "cast", grandes nomes da dublagem, como Emerson Camargo (National Kid) e Borges de Barros (Dr. Smith/Perdidos no Espaço). O Poderoso Thor foi dublado mais uma vez ainda (!) para ser exibido em 2002, pela TV Record, aos domingos.

Temas de abertura

O que fez a dublagem original ser mais valiosa ainda, foram os temas musicais das aberturas. Todas cantadas em português e com letras adaptadas por Abdon Torres, foram gravadas sete músicas, incluindo as duas do programa Super-Heróis Shell (você poderá ouvir e lê-las ainda nesta matéria). As canções eram carregadas com gírias dos anos 60, tais como "barra-limpa", "brasa", "tira a onda", "é lenha pura" e "papo firme".

A abertura do desenho Capitão América no Brasil era exclusiva. As imagens foram diferenciadas da abertura original. Quando os Heróis Marvel retornaram à TV em 1975, no Clube do "Capitão Aza" (Tupi), a abertura brasileira não entrava mais no ar. Talvez tenha se perdido ou algo semelhante. Assim, o Capitão América passou a entrar no ar com a abertura original em inglês. É por esse motivo que muitos fãs não se recordam da abertura em português do desenho. Em compensação, nos idos de 1982, outra letra para a abertura do "Capitão" foi composta na redublagem. (Na seção Multimídia, você pode ouvir as aberturas nas 2 versões). Esse caso é semelhante ao do desenho O Homem Aranha (Marvel/1967), que quando passou a ser exibido na TV Tupi, por volta de 1976, perdeu a abertura com a música cantada em português.

Curiosidades


Na primeira dublagem, traduziram alguns nomes próprios: Pepper, a secretária de Tony Stark era Pimentinha; Happy Hogan, o homem de confiança de Tony era Felisberto e Rick Jones, o parceiro do Hulk, ficou como Ricardinho. Além disso o personagem Hawkeye, chamado nas revistas de Gavião- Arqueiro, recebeu o nome de Hogan, provavelmente por ostentar um “H” em sua máscara. Na segunda dublagem, recebeu o nome de Arqueiro Olho-de-Gavião.


Na segunda dublagem (Herbert Richers), um sério deslize foi cometido ao traduzir "Os Hibernantes", arma suprema do Caveira (Caveira Vermelha na redublagem), para "Dorminhocos". Pegou mal.


Com o lançamento do Homem Aranha, a Atma lançou seu boneco, para se juntar aos do Thor, Hulk, Homem de Ferro e Namor. A máscara do "Aranha" tinha buracos e se viam os olhos, ou seja, o escultor não respeitou os quadrinhos ou os desenhos.


O desenho da Hanna-Barbera dos Quatro Fantásticos só foi lançado no Brasil muitos anos depois (1977) e os personagens já eram conhecidos aqui como "Quarteto Fantástico". Provavelmente o encarregado pela tradução não estava interado em quadrinhos. De qualquer forma, eles fizeram sucesso suficiente para trazer os personagens de volta aos quadrinhos no país pelo braço editorial da Rede Globo na época, a Rio Gráfica e Editora - RGE, que depois virou Editora Globo e os rebatizou nos quadrinhos também como "Os Quatro Fantásticos".


As miniaturas foram grande sucesso no Brasil. Eram bem simples, sem articulações, monocromáticas, porém, belas. Tinham cerca de 15 cm, fabricadas pela Atma, sob licença da Marx Toys dos Estados Unidos. Mas havia uma grande diferença na coleção: nos EUA não havia o boneco do Namor. A coleção original é com o Demolidor (que no Brasil só foi lançado nos quadrinhos em 1969 e onde nunca lançaram o boneco). Até aquela ocasião, o boneco do Namor nunca havia sido feito fora do Brasil.